Gestão de Desporto

março 21, 2006

"Prós e contras" RTP1 - Gestão do Futebol

Os modelos actuais da gestão do futebol estiveram em análise no debate televisivo "Prós e contras" de segunda-feira, na RTP 1. O programa conduzido por Fátima Campos Ferreira, teve como convidados principais o director-executivo da Liga, Cunha Leal, o presidente do ex-primordivisionário Campomaiorense, João Nabeiro, o ex-presidente do Sporting, José Roquette, o antigo ministro das Finanças, Bagão Félix, o economista Pôncio Monteiro e o jornalista Rui Santos. A relação entre os clubes e a banca, a gestão do património, as fontes de receita e os salários em atraso foram os principais tópicos do programa.

O ex-presidente do Sporting, José Roquette, começou por referir que "a euforia vivida no Euro2004 fez esquecer o balanço das contas". Os clubes tiveram que fazer um grande esforço financeiro para construir novos estádios e endividaram-se bastante mais perante as entidades financeiras. Referindo também que o sporting através do seu project finance estava no bom caminho, mas "uma gestão menos competente" provocou a crise que agora o clube atravessa. Precisando agora o clube, de alienar o imobilizado não desportivo, por se ter concluído que os clubes não são bons gerentes de imobilizado não desportivo. E também, porque esse mesmo dinheiro resultante da alienação coloca outra vez o sporting no "trilho" correcto, mas sem mais margens de manobra, sobre o risco de não ser possível outra gestão incompetente.

Relativamente à criação das SAD´s, o economista Pôncio Monteiro, referiu que os principais argumentos para a constituição das SAD´s, tinham sido para "cumprir obrigações fiscais" e permitir uma gestão mais coerente e profissional dos clubes. Questionou-se e atacou o Governo e a Liga de Clubes, se não era preciso profissionalizar os campeonatos e mudar a actual lei de bases do desporto que só faz abrandar o desenvolvimento do nosso futebol.

Para o antigo ministro das Finanças, Bagão Félix, " a evolução (do futebol) tem sido positiva" mas aponta que o país não tem mercado suficiente para este futebol - "é um mercado estreito, muito concentrado e pouco competitivo" e que "o futebol português é uma fantasia". Questiona-se se 8 clubes a 4 voltas, não seria uma boa solução, devido à existência de mais confrontos entre os clubes de topo fazendo encher mais vezes os estádios de todos os clubes. Apontando também para a competitividade desta Liga Betandwin, ter tido em 75 anos apenas 5 campeões, enquanto nas melhores ligas europeias terem ultrapassado a dezena.

O presidente do ex-primordivisionário Campomaiorense, João Nabeiro, deixando de fora os 4/5 principais clubes portugueses, aponta que os restantes clubes têm o "equilíbrio de contas através da venda dum jogador" e na maior parte das vezes "atiram" as suas contas para um patamar mais alto, pensando sempre que nessa época vendem um jogador a bom preço para equilibrar as contas, o que é uma autêntica falácia. Clubes como o Vitória de Setúbal, Farense, Ovarense, Estoril, Marco e Campomaiorense já comprovaram, que as crises financeiras podem chegar a todos, por "gestões" incompetentes.

Quem acabou por fazer mais acusações ao "futebol português" e mais propriamente ao director-executivo da Liga, Cunha Leal, foi o jornalista, Rui Santos. Este começou por perguntar, quantos mais projects finance seriam precisos, para manter o passivo dos clubes controlados. Referindo que o futebol português precisa dum "choque futebológico" e que "o rigor de alguns clubes é apenas uma falácia". Apontando também a responsabilidade a Cunha Leal, acusa que "a Liga é olhada como uma gestora de influências para a arbitragem" e que essa mesma Liga deveria ser rigorosa com as contas dos clubes, apontando que "há uma grande suspeição ás contas dos clubes".

Concluindo, foi pena que não tenham estado presentes os principais dirigentes do futebol, para se conseguir retirar ilações, dos que mais podem mudar o estado do futebol actual. Mas também, percebendo que algumas das soluções dos problemas podem passar pela: delimitação entre os profissionalismo e amadorismo, da aplicação dum tecto salarial para os jogadores, de pagar aos jogadores conforme a produtividade dos mesmos e de se formar uma coopetição entre os clubes portugueses. Agora é esperar para ver, se vamos ter algum resultado proveitoso deste debate...